Histórico do CPIJ


O CPIJ – Centro de Promoção da Infância e da Juventude é uma instituição que acolhe 1223 crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, no contraturno escolar, na faixa etária de 0 a 18 anos, visando a promoção integral de suas vidas. Atuando na assistência social, saúde e educação, desenvolvem-se atividades socioeducativas nas áreas de cultura, esporte, lazer, artes, linguagens, tecnologia, saúde, ecologia e espiritualidade, a partir de uma perspectiva pedagógica calabriana, em projetos e serviços realizados em parceria com iniciativas públicas e privadas.

O CPIJ faz parte da grande Obra Calabriana espalhada por todo o mundo, somando forças na missão de educar e de mostrar ao mundo que Deus é Pai e Mãe, que cuida deseus filhos e filhas com um amor incondicional, tendo para todos um projeto de vida plena e de felicidade.

A história do CPIJ está intimamente ligada à história do Bairro Restinga, que se originou na década de 60, quando o poder público da cidade de Porto Alegre adotou o Projeto “Remover para Promover”, retirando as pessoas de suas moradias da região da orla do Guaíba e entorno, e encaminhando-as para as regiões extremas da cidade. Desse modo iniciou-se a Vila Restinga, uma "cidade" operária construída a aproximadamente 30 km do centro da capital, sem infraestrutura adequada para acolher os novos moradores. Juntamente com este movimento, muitas pessoas do interior do estado vieram morar na capital em busca de melhores condições de vida, instalando-se nas regiões mais pobres, como a Vila Restinga, fazendo-a crescer ainda mais. 

Já desde os primeiros anos de formação do futuro Bairro da Restinga alguns membros da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência prestavam atendimento nos fins de semana no sentido religioso e social. Depois de um tempo, os padres e irmãos instalaram-se definitivamente no bairro, ajudando as pessoas a buscarem melhores condições de vida, saneamento básico, escolas populares, dentre outros benefícios.

No dia 1º de maio de 1971 foi criada a Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia e, consequentemente, a Obra Social Nossa Senhora da Misericórdia. Nesse período, uma atividade que ganhou destaque foi o atendimento de muitas crianças num bonde, que era usado como sala de aula e refeitório, visto a necessidade de “cuidar” das crianças e adolescentes que estavam pelas ruas sem assistência dos pais e sem escola. Dentre as atividades da obra social, junto com a participação ativa e mobilização da comunidade, concretizou-se então a criação do Centro de Promoção do Menor e da Creche Jesus Menino.

Foi dia 08 de março de 1976, o dia em que se iniciaram as atividades da Creche Jesus Menino, com 80 crianças, e do Centro de Promoção do Menor (CPM), com 220 crianças e adolescentes. E já em 1977 a Cáritas (órgão de assistência social da arquidiocese) passou a responsabilidade jurídica e administrativa da creche e do CPM aos Pobres Servos da Divina Providência. Na época o CPM era muito simples no sentido estrutural e organizacional, de aspecto humilde, bem parecido aos grupos escolares do interior. Apesar de um prédio sem muitas condições, o trabalho sempre foi muito bem realizado, cheio de empenho, compromisso e paixão. Todas as construções e reformas que foram acontecendo ao longo do tempo eram frutos do sonho de todos, sempre buscando melhorias em vista do desenvolvimento integral das crianças. Não existiam parcerias com o poder público e, em função disso, as atividades eram desenvolvidas dentro de uma proposta pedagógica pautada nas necessidades da época, sem as exigências e diretrizes atuais.

Durante todos esses anos, muitas famílias buscaram no CPIJ o seu “porto seguro”, encontrando motivações para seguir em frente, mesmo perante todos os seus sofrimentos, desafios e lutas cotidianas. O tempo foi passando, e em 25 anos de funcionamento da obra social foram atendidas mais de onze mil crianças. Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e pelos princípios da lei de Diretrizes e Bases, o Centro de Promoção do Menor foi denominado “Centro de Promoção da Infância e da Juventude” (CPIJ) e a Creche Jesus Menino passou a chamar-se “Instituto de Educação Infantil Jesus Menino”. Todavia, em 2004, encerrou-se o convênio e as atividades da creche.

A identificação com a obra Calabriana e o bom trabalho desenvolvido durante os anos fez com que o CPIJ crescesse um pouco mais, criando dois novos núcleos operacionais: em 2002 inaugurou-se o “Centro Cultural Francisco Cipriani” na Restinga Nova, e em 2004, o “Centro de Atendimento São João Calábria”, na Vila Castelo.

Em 2010, também se iniciaram, por meio do CPIJ, as articulações junto ao poder público em vista da construção e conveniamento da Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil Caminheiros, um projeto novo que visa atender adolescentes e jovens em situação de tóxico-dependência.

Em 2011, o trabalho com a educação infantil foi reativado, em uma nova estrutura localizada na Vila Castelo, a “Escola de Educação Infantil Jesus Menino”, mantida através de conveniamento com a SMED.

Atualmente o CPIJ possui convênios com a FASC – Fundação de Assistência Social e Cidadania e com a SMED – Secretaria Municipal da Educação, atendendo um total de 1120 crianças, adolescentes e jovens de 0 a 18 anos, com o apoio de mais de 80 colaboradores.

Devido a sua longa trajetória de promover a formação integral dos seus educandos, o Centro de Promoção da Infância e da Juventude deseja continuar sendo uma presença motivadora e transformadora na comunidade da Restinga e arredores. Ao acolher promovendo vidas, o CPIJ quer ser um “evangelho vivo”, assim como orientava o fundador da Obra Calabriana, São João Calábria, pois semeia boas notícias, espalhando esperanças para todos aqueles que fazem parte desta missão.

“A história que se faz com muito amor vai um dia florescer!”
(Pe. João Luiz de Souza Gomes)